São Paulo – Uma nova era da computação promete fornecer aos usuários uma
rica e ainda não vista experiência entre todos seus dispositivos
conectados. Atualmente, a interação de humanos com seus
dispositivos ainda depende de instruções específicas ou de um mouse
para realizar uma tarefa, por exemplo.
Mas recentemente presenciamos o surgimento de uma nova tendência de
dispositivos inteligentes que permitirá monitorar ou mesmo antecipar o
comportamento humano. Eles poderão automaticamente realizar tarefas que
necessitam ser feitas ou mesmo deixar o ambiente do usuário ainda mais
personalizado.
Este conceito, no entanto, não é recente. A
internet das coisas, termo cunhado pelo Massachusetts Institute of
Technology (MIT), prevê que aplicações irão se integrar e interagir com
objetos inteligentes e conectados em sua volta.
Os principais conceitos deste novo paradigma de comunicações seriam a
identificação e captura de dados automáticos, percepção de contexto e
acesso autônomo a redes de comunicações. A ideia é que tudo tenha um
endereço IP, desde uma simples geladeira até uma pintura na parede.
Dados
como a localização do usuário, dispositivos ao redor e mesmo
informações sensíveis como preferências e redes sociais, poderão ser
aproveitados por novas aplicações por meio de capacidades sensitivas
embutidas em dispositivos inteligentes que podem ser vestidos pelo
usuário, chamados de wearable devices.
“Esses conceitos
aplicados simultaneamente permitem que os objetos se comuniquem e que
dessa comunicação emerja inteligência fazendo com que se configurem
aplicações para que os objetos e o ambiente fiquem à disposição do
usuário final. Essa conexão será essencialmente sem fio e móvel”,
explica Roberto Amazonas, engenheiro e professor do departamento de
Engenharia e Telecomunicações da Poli.
Alguns exemplos de sensores e aplicações já podem ser vistas em uso
atualmente. Smartphones podem detectar se o usuário quer ligar para uma
pessoa com a qual está trocando mensagens SMS, como ocorre com o Galaxy S III, por exemplo.
Ou mesmo a patente de uma tatuagem eletrônica criada pela Nokia,
que permitirá ao usuário controlar e receber informações de seu
telefone. Outro dispositivo que exemplifica esta tendência é o Project Glass, óculos inteligentes desenvolvidos pelo Google e que poderão ser utilizados como um assistente pessoal pelo usuário.
O potencial para estas novas aplicações é enorme. Uma previsão da consultoria Gartner
aponta que em poucos anos nós gastaremos mais de 96 bilhões de dólares
com aplicações inteligentes. A empresa espera que até 2015 a
contextualização seja tão influente nas aplicações móveis como as
ferramentas de busca são para a web.
E essas aplicações não
ficariam restritas somente aos usuários finais. Uma empresa poderá se
beneficiar também desse conceito. Imagine receber uma ligação no
celular, mas antes de atendê-la sua aplicação iria contextualizar os
dados da pessoa que está ligando com uma base de dados no seu notebook e
repassar essas informações automaticamente para que você possa se
preparar para a conversa.
Esta computação contextualizada
poderá fornecer a informação exata ao funcionário antes deste tomar uma
decisão importante. Ou mesmo enviar documentos para toda uma equipe
revisá-los antes que a reunião ocorra.
“Estamos diante de
uma nova realidade e não da ficção científica. Novos serviços,
aplicações e dispositivos já estão sendo desenvolvidos. Em muito pouco
tempo estaremos comprovando uma mudança radical na vida cotidiana. As
aplicações e serviços abrangem todas as atividades da sociedade como
rastreamento alimentar, vida assistida de idosos, automação hospitalar,
controle de tráfego. Se bem utilizada, a infraestrutura da Internet das
Coisas será um instrumento para promover uma enorme revolução e inclusão
social”, aposta Amazonas.
Estas são apenas algumas das
formas que a computação contextualizada poderá mudar a forma como
interagimos com nossos dispositivos. Seria então justo dizer que essas
aplicações logo poderão fazer parte do seu corpo e torna-lo também em um
gadget.

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