Um trouxe inovações revolucionárias. Difícil lidar. Sem carisma com
seus funcionários. Com problemas familiares e personalidade
complicada. Outro se dedica à caridade, depois de fundar a empresa mais
valiosa de software do planeta. Eleito o oitavo herói contemporâneo.
Como você já leu o título, sabe que estou falando de um ou outro.
Bom, esta é uma revista de tecnologia, então, você sabe que o primeiro é
Steve Jobs e o segundo, Bill Gates. Não preciso nem brincar de enganar
(mas se essa fosse uma revista de receitas de pavê, eu conseguiria!).
Não são mais biografias de dois empresários de sucesso, mas relatos
históricos de personagens antagônicos de uma revolução. E nesse cenário,
por que será que Steve Jobs foi alçado à posição de ídolo eterno e
incontestável, um deus, e Bill Gates, diabo?
Alguns pontos são bem contraditórios. Um ex-hippie, adepto do LSD,
que não gostava de banho e largou a faculdade, virando guru de muita
gente – na mesma sociedade que dá gritos moralistas contra os estudantes
que protestam na USP. Já Bill Gates, que fez tudo direitinho, o próprio
nerd, que ajuda os outros e criou o sistema operacional mais popular do
mundo, foi deixado de lado.
Começo a achar que um só existe por causa do outro. E não falo pelo
potencial de criação, mas só existe o bom se houver o mau. Um só é o
descolado se o outro for o “loser”.
Vale a pena reavaliar a imagem que colocamos sobre esses dois
bilionários. Enquanto Jobs estava criando o iPad, Gates corria atrás de
uma vacina contra a malária. Jobs investiu milhões para criar o iPhone?
Gates investiu mais de 30 bilhões de dólares para a caridade de 2000
para cá.
No entanto, Steve Jobs também tem seus trunfos: revolucionou a
indústria fonográfica, ajudou garotos a se sobressair na turma de
amigos, mudou totalmente o que entendemos por animação, smartphone,
MP3-player e lançamentos de produtos. Juntos, eles criaram esse
verdadeiro Brasil versus Argentina da tecnologia. Uma disputa que sempre se revela um hardware de surpresas (pausa para a reflexão).
E os fãs são bem específicos. Os da Apple amam todos os produtos, mas
criticam quem usa o adesivo. Afinal, nada pior que aparentar uma óbvia
vontade de parecer descolado. Já os fãs do Bill Gates, que vão me
detestar pelo texto de hoje, não abrem mão da liberdade e customização
oferecidas pelo Windows.
Até que um belo dia tudo pode mudar de figura. E um fã de PC pode ser
o fã de Mac de amanhã. E vice-versa. Sem que ninguém assuma.
Fonte:Revista windows

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